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(Extraído do livro Os Engenheiros de S.Paulo em 1932 - Arthur Morgan - 1934 - São Paulo) Ruth Parte I Este é o nome que recebeu a pequena canhoeira comprada para os paulistas em setembro de 1932. Vamos aqui relatar algumas coisas interessantes sobre o tão falado navio que veio ter a poucos dias ao porto de Santos, incorporado à Esquadra que visitou São Paulo, todo pintadinho de branco, com suas duas chaminés amarelas e sua elegante silhueta, despojado do mastro de popa e rebatizado com o nome de Rio Branco. Que ironia da sorte! Como entraste hoje em Santos e como seria se tivesses entrado em 1932! Muito se tem dito e muito se tem escrito a respeito da compra dessa canhoeira e do que ela trazia a bordo, mas ainda não se tornaram públicos certos fatos que necessitam ser conhecidos e muito especialmente pelos paulistas, para que eles saibam dar valor aos que trabalharam pela sua causa, para que saibam desprezar os que os traíram e deduzirem, com as provas apresentadas o seu veredicto relativamente aos culpados pelo desfecho e pelas conseqüências funestas que ele acarretou à nossa terra. No mês de outubro de 1934, alguns jornais publicaram alguma coisa sobre o assunto, porém o repórter ouviu por alto ou então quem contou ouviu como se diz, cantar o galo, mas não soube bem como e onde ele cantou. Imaginem que chegaram a dizer que o navio devia seguir para o porto livre de Dresden, na Alemanha. Ora, Dresden virado em porto de mar onde o navio tocaria (centenas de km pelo rio Elba adentro) para depois seguir de novo com a carga! Por aí pode se avaliar o resto. Não; não é assim que se trata mal os leitores. O navio Ruth era antigamente um coast-patrol da armada canadense, canhoeira empregada na fiscalização da costa a fim de evitar contrabando, fiscalizar a pesca e chamava-se então Margaret. Suas características são as seguintes: 400 ton, 2 motores Thornycroft a óleo, 18 milhas horárias, rádio equipamento, 2 chaminés e 2 pequenos mastros. Durante o movimento constitucionalista, o Dr. Paulo de Moraes Barros resolveu enviar emissários para a compra de armamentos e aviões no estrangeiro. Aconselhado pelo Major Ivo Borges foi enviado para a América do Norte, viajando no avião de carreira, pessoa de sua absoluta confiança, seu concunhado, o Dr. Manoel José Ferreira, então Diretor e lente da Faculdade de Medicina do Estado do Rio. O serviço a executar nos Estados Unidos era por todas as formas arriscadíssimo, como pode-se muito facilmente avaliar, não só pelas as leis americanas, contra o filibustering e comércio de armas, como pela embaixada que tinha como chefe do seu serviço de inteligência o cidadão Paulo Haslocher, nome que não devemos esquecer. |