NOSSA BANDEIRA

Poesia de Guilherme de Almeida

 

Bandeira da minha terra,

Bandeira das treze listas.
São treze lanças de guerra.
Cercando o chão dos Paulistas!

Prece alternada, responso
Entre a cor branca e a cor preta:
Velas de Martim Afonso,
Sotaina do Padre Anchieta!

Bandeira de Bandeirantes,
Branca e rota de tal sorte,
Que entre os rasgões tremulantes,
Mostrou a sombra da morte.

Riscos negros sobre a prata:
São como o rastro sombrio,
Que na água deixava a chata
Das Monções, subindo o rio.

Página branca pautada
Por Deus numa hora suprema,
Para que, um dia, uma espada
Sobre ela escrevesse um poema:

Poema do nosso orgulho
(Eu vibro quando me lembro)
Que vai de nove de julho
A vinte e oito de setembro!

Mapa de pátria guerreira
Traçado pela Vitória:

Cada lista é uma trincheira;
Cada trincheira é uma glória!

 

Tiras retas, firmes

Quando o inimigo surge à frente,
São barras de aço guardando
Nossa terra e nossa gente.

São dois rápidos brilhos
Do trem de ferro que passa:
Faixa negra dos seus trilhos
Faixa branca da fumaça.

Fuligem das oficinas;
Cal que as cidades empoa;
Fumo negro das usinas
Estirado na garoa!

Linhas que avançam; há nelas,
Correndo num mesmo fito,
O impulso das paralelas
Que procuram o infinito.

É desfile de operários;
É o cafezal alinhado;
São filas de voluntários;
São sulcos do nosso arado!

Bandeira que é o nosso espelho!
Bandeira que é a nossa pista!
Que traz no topo vermelho,
O coração do Paulista
!